Segunda-feira, 8h30min. Depois de um final de semana de festa e família, eu me encontrava em uma rodoviária, comprando a passagem pra voltar à rotina. Normal. Apesar de eu não ir para casa todos os finais de semana, eu repito essa cena com uma certa frequência. Mas aquele dia reservava algo peculiar.
Nunca gostei de esperar e confesso que o intervalo de uma hora que eu tenho que ficar na rodoviária para pegar o ônibus que me leva ao meu destino tem testado a minha paciência. Isso só acontece porque minha família mora (e eu também morava até pouco tempo) em uma cidade bonita, mas pequena, que não tem se quer uma linha de ônibus direta à Passo Fundo.
Ossos do ofício.Paciência.Um dia terei um carro.
A única coisa boa de se perder uma hora na rodoviária é a possibilidade de observar as pessoas que passam por ali. Gente chegando, gente indo.Pais abraçando filhos que estão de partida. Netos levando avós para comprar a passagem. Aquele beijo longo dos namorados que se despedem e já anseiam pelo próximo encontro...será que essas pessoas se dão conta que talvez seja a última vez que se veem ? Não sei. Enfim, abstrai.
As vezes, estando nesse ambiente, eu me sinto em outra dimensão. Como se eu fosse invisível...como se eu não fizesse parte daquele todo e pudesse apenas observar, sem interferir.
Nesse dia, em especial, fui acordada do meu “sonho” por uma canção brega. Daquelas que o meu avô ouvia quando era jovem. Um senhor, com ares de indigente, passava por aí e cantava. Em alto e bom som, para quem quisesse ouvir (e quem não quisesse também). Quando olhei para ele, me lembrei, de súbito, do “Vendedor de Sonhos”, do Augusto Cury (em dois volumes, um dos melhores livros que eu já li).
Com a mão em uma orelha, ele tinha a pose de um cantor. E cantava bem, no ritmo e tudo mais. Cantando, ele percorreu algumas vezes toda a extensão da rodoviária. De repente ele parou, como se tivesse visto, ou quem sabe sentido algo. Abaixou os olhos para seu relógio de pulso e depois, olhando fixamente para o céu disse : - São 8h42min e ainda não aconteceu nada! Como? Como isso é possível? Estou no aguardo e lhe peço ansiosamente que venha!
Dito isso, voltou a cantar.
Havia algo de estranho nos olhos dele. Algo como uma súplica. E ele falou com tanta certeza de que estava sendo ouvido, que por um momento eu senti que todos olhavam para ele, não mais como um indigente beirando a loucura, mas como alguém que sabe de alguma coisa importante.
Todos esperavam por mais palavras. Mas ele não fez isso. Seguiu cantando apenas.
Confesso que me impressionei com a cena. Parecia mesmo que ele conversava com alguém. As pessoas que estavam por perto, timidamente e tentando disfarçar, olhavam para o céu para ver se tinha alguém ou alguma coisa por lá. Mas não tinha nada visível à nós.Apenas ele podia ver.
Senti uma vontade gigantesca de conversar com o senhor cantor. Coisas de Jornalista, eu acho. Queria saber, mesmo que fosse loucura dele, com quem ele falava, quem ele era.
Como se lesse meu pensamento, ele parou do meu lado. Parou de cantar e me olhou. Pensei em arriscar algumas palavras, mas o ônibus chegou.
E pela primeira vez uma hora de espera na rodoviária passou rápido demais. E eu deixei para trás uma conversa que renderia muitas histórias, tenho certeza.
Quem sou eu
- Vanne
- Eu tenho uma ideia formada sobre quase tudo. Mas me permito mudá-la. Afinal, como dizia Raul, "eu prefiro ser essa metamorfose âmbulante ♪". Tenho muitos sonhos. Eu busco, da minha maneira, ser um pouco melhor a cada dia. Valorizo demais a minha família. Tenho os MELHORES amigos do mundo. Gosto de desafios, de riscos. É como se eu tivesse necessidade de sempre provar pra mim mesma o quão forte eu posso ser. Gosto muito das palavras, mas valorizo muito mais as ações. Música. MUITA música. Adoro dançar. Acredito em Deus. Sou uma pessoa abençoada. Sou à favor da liberdade de expressão. AMO cinema, teatro, coral, concertos, fotografias e afins. ARTE. Sou apaixonada pelo Jornalismo. A não-obrigatoriedade do diploma NÃO me assusta. Se você for mesmo BOM, sempre terá vez. Sou persistente. Inteligência me fascina. Gosto de gente que sabe o que quer. Gosto de ser surpreendida. Busco sempre o melhor nas pessoas. Adoro escrever. Leio muito. Confio em mim. Quero conhecer o MUNDO. Acho que o amor é um sentimento revolucionário. Não gosto de promessas. Não sei se o pra sempre existe. Por isso faço o possível pra que todos os momentos sejam bons e valham uma boa lembrança.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Que assim seja

E chega um momento que a gente percebe que o que realmente importa é a fé que depositamos em nós mesmos.
Um momento que cansasamos de sofrer por pessoas que não merecem nosso sofrimento.
E mesmo quando todas as canções que embalam nossos pensamentos são tristes, é hora de cuidar, de pensar, de tornar prioridade...mas não os outros, nós mesmos.
Que se marque aqui um recomeço.
O meu recomeço.
"Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo."
(Clarice Lispector)
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Um olhar sobre a indiferença

Frieza, insensibilidade, apatia, desprezo. Essa é a definição da palavra indiferença no dicionário. Mais que isso. Esses são os sentimentos que regem grande parte da nossa sociedade, infelizmente.
Diariamente nos deparamos com campanhas publicitárias, reportagens e até políticas públicas que visam proporcionar conhecimento e concientizar a população sobre as diferenças, especialmente nos casos de deficientes físicos. São ótimas iniciativas, contudo, existe algo que está passando despercebido.
De que adianta falar sobre as diferenças se a grande maioria das pessoas é indiferente a isso? De que maneira as pessoas vão entender que cada ser é único, se criam uma bolha em torno de si, como se vivessem num mundo a parte ?
Talvez o grande desencadeador dos maiores problemas sociais seja exatamente esse : a indiferença. As pessoas estão cada vez mais alienadas, a ponto de não mais se sensibilizarem com crianças que dormem nas ruas, envoltoas apenas em uma folha de jornal. A miséria, a violência, a falta de acesso à educação...todos esses problemas não causam nenhuma reação à maioria das pessoas, como se simplismente não existissem.
É como se fosse da natureza humana essa desigualdade de condições e esse individualismo.. É estranho, mas é exatamente assim. O ser humano moderno vive isolado em uma bolha e tenta debater a aceitação das diferenças, como se pra isso não fosse necessário qualquer tipo de contato.
Não digo com isso que é desnecessário falar sobre as diferenças. Pelo contrário. Temos que entender que, ricos ou pobres, brancos ou negros, deficientes ou não, quando morremos nossos corpos vão todos para o mesmo lugar. E afinal, que graça teria se fossemos todos iguais ?
No entando, para que as pessoas entendam as diferenças, elas precisam deixar de ser indiferentes à isso. Precisam entender que a vida é um jogo de reflexos e que mais cedo ou mais tarde seremos responsabilizados por nossas açõe, ou não-ações.
O que falta no Brasil
Ciência do governo dos povos e dos negócios públicos. Eis a definição de Política no dicionário. Uma definição que mostra o nível de abrangência de um tema que, infelizmente, é tratado por alguns como algo supérfluo, sem importância.
Tudo bem que nós passamos por um momento de descrença, onde existe mais joio do que trigo. Mas o que está em jogo não é apenas um dia de alienação, é o futuro do nosso País, nosso Estado e Município.
Dizer que não tem mais jeito, que são todos iguais, que não existe político que não seja corrupto, isso todo mundo faz. Diferente seria se aparecessem pessoas com vontade de mudar. Afinal, essa não é uma realidade morta, que temos que aceitar de cabeça baixa. A mudança, que certamente é possível, depende única e exclusivamente de nós, os eleitores.
Mas o que parece é que existe muita gente que não se preocupa com isso. O grande nível de abstenção de votos nesse segundo turno das eleições presidenciais mostra que o povo brasileiro tem que caminhar muito até formar uma cultura política. O índice de pessoas que deixaram de votar chegou a 21,47%. O maior desde 1989, ano em que o Brasil voltou a eleger seu governante por voto direto. Prova de que os brasileiros estão dando pouca importância para algo que deveria ser umas das principais preocupações.
Eis o porque da necessidade da formação de uma cultura política, onde não é necessário ser militante assíduo de algum partido. O importante é ter noção do valor de cada voto. É ter a capacidade de analisar propostas, de conhecer os candidatos e principalmente, conhecer o que cada um já fez em prol da sociedade.
Um dito popular muito sábio diz que a política é o espelho do povo. O que um povo que se anula, que não vota por achar que política não é coisa séria e que os políticos são todos iguais, deve esperar dos poderes públicos?
Tudo bem que nós passamos por um momento de descrença, onde existe mais joio do que trigo. Mas o que está em jogo não é apenas um dia de alienação, é o futuro do nosso País, nosso Estado e Município.
Dizer que não tem mais jeito, que são todos iguais, que não existe político que não seja corrupto, isso todo mundo faz. Diferente seria se aparecessem pessoas com vontade de mudar. Afinal, essa não é uma realidade morta, que temos que aceitar de cabeça baixa. A mudança, que certamente é possível, depende única e exclusivamente de nós, os eleitores.
Mas o que parece é que existe muita gente que não se preocupa com isso. O grande nível de abstenção de votos nesse segundo turno das eleições presidenciais mostra que o povo brasileiro tem que caminhar muito até formar uma cultura política. O índice de pessoas que deixaram de votar chegou a 21,47%. O maior desde 1989, ano em que o Brasil voltou a eleger seu governante por voto direto. Prova de que os brasileiros estão dando pouca importância para algo que deveria ser umas das principais preocupações.
Eis o porque da necessidade da formação de uma cultura política, onde não é necessário ser militante assíduo de algum partido. O importante é ter noção do valor de cada voto. É ter a capacidade de analisar propostas, de conhecer os candidatos e principalmente, conhecer o que cada um já fez em prol da sociedade.
Um dito popular muito sábio diz que a política é o espelho do povo. O que um povo que se anula, que não vota por achar que política não é coisa séria e que os políticos são todos iguais, deve esperar dos poderes públicos?
terça-feira, 5 de outubro de 2010
O poeta pena...
"(...)Daquilo que é óbvio, daquilo que nos faz um tanto bem maior, daquilo que nos faz amadurecer diariamente:
A capacidade que a gente tem de olhar no olho, de agradecer, de poder dialogar, críticar com sensibilidade, com coragem.
Que a gente saiba valorizar cada momento nosso, porque todo mundo aqui já está automaticamente em extinção;
Só existe um de cada um de nós.” (Fernando Anitelli)
A capacidade que a gente tem de olhar no olho, de agradecer, de poder dialogar, críticar com sensibilidade, com coragem.
Que a gente saiba valorizar cada momento nosso, porque todo mundo aqui já está automaticamente em extinção;
Só existe um de cada um de nós.” (Fernando Anitelli)
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Perguntas

Quantas vezes você andava na rua e sentiu um perfume e lembrou de alguém que gosta muito?
Quantas vezes você olhou para uma paisagem em uma foto, e não se imaginou lá com alguém...
Quantas vezes você estava do lado de alguém, e sua cabeça não estava ali?
Alguma vez você já se arrependeu de algo que falou dois segundos depois de ter falado?
Você deve ter visto que aquele filme, que vocês dois viram juntos no cinema, vai passar na TV...
E você gelou porque o bom daquele momento já passou...
E aquela música que você não gosta de ouvir porque lembra algo ou alguém que você quer esquecer mas não consegue?
Não teve aquele dia em que tudo deu errado, mas que no finzinho aconteceu algo maravilhoso?
E aquele dia em que tudo deu certo, exceto pelo final que estragou tudo?
Você já chorou por que lembrou de alguém que amava e não pôde dizer isso para essa pessoa?
Você já reencontrou um grande amor do passado e viu que ele mudou?
Para essas perguntas existem muitas respostas...
Mas o importante sobre elas não é a resposta em si...
Mas sim o sentimento...
Todos nós amamos, erramos ou julgamos mal...
Todos nós já fizemos uma coisa quando o coração mandava fazer outra...
Então, qual a moral disso tudo?
Nem tudo sai como planejamos portanto, uma coisa é certa...
Não continue pensando em suas fraquezas e erros, faça tudo que puder para ser feliz hoje!
Não deite com mágoas no coração.
Não durma sem ao menos fazer uma pessoa feliz!
E comece com você mesmo!!!
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
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